
Na sequência das legislativas de 18 de maio de 2025, assistimos ao regresso do ex-Ministro da Administração Interna, José Luís Carneiro, agora como candidato à liderança do Partido Socialista. Perante os elogios ao seu desempenho enquanto MAI, importa recordar uma realidade que permanece viva na memória dos profissionais das forças de segurança.
A Associação Nacional dos Sargentos da Guarda Nacional Republicana não pode ignorar a marca de desigualdade deixada pelo então ministro na atribuição do suplemento de risco. O Governo, de que fez parte, decidiu conceder esse suplemento exclusivamente à Polícia Judiciária, deixando de fora a GNR e a PSP — duas forças sob a sua tutela direta — num claro atropelo ao princípio constitucional da igualdade. Esta medida evidenciou uma tutela incapaz de garantir justiça e equidade no tratamento das forças policiais.
Não se tratou de uma omissão. A exclusão foi publicamente defendida pelo próprio ministro, traduzindo-se numa opção política consciente e discriminatória.
A decisão conduziu às duas maiores manifestações de sempre das forças de segurança e a um nível de descontentamento sem precedentes — algo que só por amnésia, ou tentativa de reescrever o passado, alguns procuram apagar.
A escolha do Governo constituiu uma afronta à dignidade dos profissionais da GNR, em especial dos Sargentos. A desigualdade que ainda hoje persiste entre os corpos policiais exige reflexão urgente.
Os Sargentos da GNR não esquecem as injustiças cometidas na revisão anual dos mapas de pessoal, que prejudicaram de forma gravosa os Sargentos, afetados pela estagnação e dificuldade de progressão.
Esta estagnação não encontra paralelo no seio da GNR, nem noutras categorias intermédias com funções equivalentes.
É urgente corrigir a desigualdade criada.
É urgente repor a justiça.

