Entrevista do Presidente da ANSG ao jornal SOL

«Presidente da ANSG sugere que o novo estatuto beneficia mais as Forças Armadas do que a GNR e acusa Marcelo de ter cedido a pressões.

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Tem defendido que os militares GNR estão a ser comparados com as Forças Armadas. Em que medida?

A Associação Nacional de Sargentos da Guarda assume a sua identidade enquanto militar. nós, contrariamente a outros movimentos, assumimos a dupla condição de força de segurança com natureza militar. Se isto já era assim, para quê procurar implementar e criar o posto de brigadeiro na GNR? Não é isso que faz falta, não precisamos de mais um cargo de direção ou de comando! O estatuto do militar da Guarda não é uma linha de continuidade do estatuto das Forças Armadas, não pode ser.

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No dia-a-dia, os militares da GNR têm boas condições para desempenhar as suas funções?

Muitos dos locais são altamente deficitários, com falta de condições não só para os militares deslocados – que têm de fazer vida nos próprios quartéis – como para os civis. Mas mais problemática é a questão dos recursos humanos. A falta de pessoas influencia, por exemplo, o serviço de patrulhamento comunitário, não há meios para o fazer. Prefiro que haja patrulhamento para não me roubarem o carro do que um dia poder vir a recuperá-lo do fundo de um rio. Sem patrulhamento comunitário, essa prevenção não é possível.

Quantos elementos são precisos?

Existem serviços mínimos que é necessário assegurar: o atendimento, as patrulhas às ocorrências e o patrulhamento comunitário. O dispositivo tem de ter em consideração vários fatores, como a área e a criminalidade. No mínimo, estamos a falar de ter entre 20 a 24 elementos e há locais que não têm esse número de militares e onde a atividade se resume à manutenção e abertura do posto. Quando acontece alguma coisa, é necessário apoio de um posto que está a 100 quilómetros.

O que vos levou a agendar uma manifestação para abril?

Já havia a intenção de os militares da Guarda se manifestarem antes desta questão do estatuto. Já havia o atraso nas promoções, por exemplo. Estão em causa questões monetárias, não o negamos, mas isso faz parte das necessidades das pessoas.

E qual seria o desfecho ideal?

O objetivo é a consciencialização da opinião pública. É preciso perceber o que está aqui em causa, porque é que há falhas, porque é que quando chamam a GNR muitas vezes demoram tanto tempo a ser socorridos. E claro, queremos ver o reconhecimento do papel do militar da Guarda, através daquilo que é uma aspiração normal: a concretização da sua carreira. »